2 Élles Edit · Contexto

Comprar sem receber nada parece absurdo?

A tendência dos dopamine sites está desafiando tudo sobre consumo digital.

2 Élles Edit · 5 min de leitura

Mulher com máscara facial navegando em um laptop, sentada em uma varanda

A internet descobriu que a expectativa também pode ser um produto. Foi daí que nasceram os chamados dopamine sites — e talvez isso explique muito sobre a forma como consumimos hoje.

Plataformas como FoodNeverComes e FakeHaul reproduzem toda a experiência de compra. Escolha, carrinho, pagamento e rastreamento. A única coisa que nunca chega na sua casa é… o produto. A proposta parece sem sentido. Mas ela parte de uma pergunta difícil de ignorar.

E se a melhor parte da compra acontecer antes da entrega? A ideia ganhou força porque muita gente percebeu que navegar, comparar e imaginar a compra já era uma recompensa por si só.

Não por acaso, lojas investem cada vez mais em carrinhos salvos, listas de desejos, notificações e rastreamentos. Afinal, a experiência também é uma parte relevante do que está sendo vendido.

Especialistas, porém, discordam sobre o efeito da tendência. Enquanto alguns enxergam potencial para reduzir compras por impulso, pesquisadores como Anna Lembke, da Universidade Stanford, alertam que a prática também pode reforçar o próprio ciclo de desejo.

E há um dado que ajuda a colocar isso em perspectiva. Um estudo encontrou 1.818 dark patterns em mais de 11 mil e-commerces, mostrando como muitas lojas digitais são desenhadas para prolongar a atenção e incentivar decisões de compra. Os dopamine sites fazem o movimento contrário. Mantêm o ritual, mas eliminam a venda.

No fim, esses sites não parecem falar especificamente sobre compras. Eles mostram que, muitas vezes, o desejo começa bem antes de qualquer produto existir. E talvez o maior produto da economia digital nunca tenha sido apenas aquilo que chega à porta de casa.

Essa tendência parece uma curiosidade passageira ou um retrato do futuro do consumo? O que você acha dos dopamine sites?

Produzido com ajuda de Inteligência Artificial, editado por uma humana e inspirado no artigo "The rise of fake online shopping platforms that let you pretend to buy things: Would you use a 'dopamine site'?" — Fast Company.