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Os livros mais vendidos na Flip 2026
O ranking real da Livraria da Travessa na 24ª edição da Flip, e o que está por trás de cada título
A Flip 2026 (Festa Literária Internacional de Paraty) fechou sua 24ª edição como a maior de todos os tempos: 40 mil pessoas passaram pela cidade entre 22 e 26 de julho, apesar de um orçamento 48% menor que o do ano anterior. Autores como Zadie Smith marcaram presença na programação, mas quem decide o que realmente vende é o público na fila da livraria oficial do evento.
A Livraria da Travessa, que opera o ponto de venda oficial da festa, divulgou o ranking dos 10 livros mais vendidos, com dados fechados no domingo, 26 de julho, às 20h. Socorro Acioli liderou a lista, superando Valter Hugo Mãe ao final do evento. Veja o que cada um desses livros conta e quem são as pessoas por trás deles.
1º lugar
Amar é inadiável
Uma coletânea de crônicas que reúne textos publicados entre 2015 e 2022 nos jornais O Povo e Diário do Nordeste, funcionando como um bastidor da própria literatura da autora. Socorro narra encontros reais com Gabriel García Márquez e Marina Colasanti, declara sua paixão por Italo Calvino e Lygia Fagundes Telles, e transforma o cotidiano em matéria literária.
Socorro Acioli é cearense, jornalista, doutora em Letras pela UFF e professora na Unifor. É autora de mais de vinte livros: venceu o Prêmio Jabuti de literatura infantil em 2013 com Ela Tem Olhos de Céu, e seu romance A Cabeça do Santo (2014) nasceu de um argumento apresentado num workshop com Gabriel García Márquez em Cuba, foi traduzido para inglês, francês, espanhol e italiano, e eleito um dos melhores livros para adolescentes pela New York Public Library.
Ver na Amazon2º lugar
O século dos imbecis
Uma fábula sobre Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha: quanto mais desce a montanha em direção ao mar, mais burro fica; quanto mais sobe, mais lúcido e brilhante. Ao redor dele se desenrola uma trama de luxúria, inveja, ganância e solidariedade, numa alegoria divertida e inquietante sobre os vícios e as contradições humanas em tempos de excesso e desorientação.
Valter Hugo Mãe é um dos nomes mais relevantes da literatura portuguesa contemporânea, com obra marcada por romances como A Máquina de Fazer Espanhóis e O Filho de Mil Homens, e vencedor do Prêmio José Saramago.
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Os imortais
Narra a trajetória de um clã de neandertais guiado por figuras chamadas Homem, Mulher e Velha, atravessando territórios hostis em busca de sobrevivência. Depois de um conflito com outro grupo, uma criança sapiens é incorporada ao clã — uma fábula especulativa sobre a origem da humanidade que celebra o poder inaugural da mente e questiona o quanto o elo com o passado ainda nos sustenta.
Paulliny Tort é jornalista e escritora, mestre em Comunicação e Sociedade pela UnB. Estreou em 2016 com Allegro ma non troppo (semifinalista do Prêmio Oceanos), e seu livro de contos Erva Brava (2021) venceu o prêmio da APCA e foi finalista do Jabuti 2022.
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Pela mão do povo: voto e democracia no Brasil
Acompanha a construção do direito ao voto no Brasil, as reformas eleitorais, os períodos de supressão de eleições e os processos de redemocratização que marcaram a vida política do país, mostrando como analfabetos, mulheres, negros e indígenas foram excluídos da cidadania plena por décadas e precisaram lutar por participação. Organizado em parceria com pesquisadores da UFMG ligados ao Projeto República.
Cármen Lúcia Antunes Rocha é ministra do STF; Heloisa Starling é historiadora e professora da UFMG, coordenadora do Projeto República.
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Malária
Em 2003, a autora alemã foi picada por uma fêmea de mosquito anófeles durante uma viagem pela Amazônia brasileira e quase morreu por erro de diagnóstico. Em vez de narrar em primeira pessoa, ela escolheu como narradora a própria mosquito — atormentada pela culpa, incapaz de deixar a vítima, e que passa a conhecer a mulher que picou por dentro. Uma autoficção que também traz um panorama real da história da malária.
Carmen Stephan nasceu em Berching, Alemanha, em 1974, e hoje vive na Bahia. O livro venceu o Jürgen Ponto-Stiftung Literature Prize e o Buddenbrookhaus Award de melhor romance de estreia na Alemanha.
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Bom dia, inverno
Depois de se tornar a mais jovem latino-americana a cruzar o Atlântico em solitário, a navegadora trocou o espaço pelo tempo: passou oito meses sozinha, ancorada em um veleiro preso no mar congelado de um fiorde no Ártico groenlandês, no inverno mais frio do ano. Entre auroras boreais e visitas de raposas e focas, o relato mistura risco real com reflexões sobre liberdade, isolamento e o futuro do planeta.
Tamara Klink é filha do navegador Amyr Klink e publica desde os 13 anos, com títulos como Mil Milhas e Nós: O Atlântico em Solitário.
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O boxeador polonês
Seis histórias interligadas que giram em torno do mistério de um boxeador polonês, sobrevivente de Auschwitz que conta ao próprio neto (o narrador) que os cinco dígitos verdes tatuados no braço eram "seu número de telefone" — até revelar que só sobreviveu graças à esperteza de outro prisioneiro, também boxeador, mantido vivo porque os soldados alemães gostavam de assisti-lo lutar.
Eduardo Halfon é guatemalteco, de origem judaica libanesa, autor de mais de uma dezena de obras de prestígio internacional e comparado com frequência a Roberto Bolaño.
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A pediatra
Cecília é pediatra e detesta crianças: casada, sem desejo de ser mãe, com vida sexual plena fora do casamento, ela guia a própria rotina por puro capricho. Tudo ameaça mudar quando uma pediatra concorrente, adepta de medicinas alternativas e parto natural, começa a roubar suas pacientes — e o filho do amante desperta nela sentimentos que ela nunca imaginou sentir.
Andréa Del Fuego nasceu em São Paulo em 1975, é mestre em Filosofia pela USP, e seu romance de estreia Os Malaquias (2010) venceu o Prêmio José Saramago.
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A paixão pela mentira: a família e as tiranias
Um ensaio que nasce de uma inquietude: como a psicanálise explica o apoio de tantas pessoas a regimes autoritários? Schiller traça paralelos entre o que escuta em 40 anos de consultório e a ascensão do encanto por autocracias no Brasil e no mundo, investigando como as histórias familiares moldam escolhas ideológicas — e como filhos acabam se apropriando do discurso maniqueísta que aprenderam em casa.
Paulo Schiller é psicanalista, médico e tradutor paulistano, conhecido por traduzir autores húngaros como Sándor Márai e Imre Kertész.
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O aniversário
Vencedor do Prêmio Strega 2025, a maior honraria da literatura italiana. Um filho renuncia à casa dos pais e corta qualquer possibilidade de reencontro para viver a própria vida. Aos 41 anos, o narrador revisita a juventude vivida entre Roma e uma pequena cidade do norte da Itália nos anos 1980 e 1990, reconstruindo um ambiente familiar dominado pela tensão, num retrato de como o passado se impõe sobre o presente mesmo depois da fuga.
Andrea Bajani nasceu em Roma em 1975 e escreveu dez romances traduzidos para mais de 25 idiomas; já havia vencido o Bagutta Prize (o mais antigo prêmio literário italiano) com Ogni Promessa.
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