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Como nasceu a Sephora
Um perfumista francês achou absurdo que ninguém pudesse testar um perfume antes de comprar — e criou o modelo de loja que a beleza usa até hoje
Foto: Pexels
Até 1970, comprar perfume na França seguia sempre o mesmo roteiro: você entrava numa perfumaria, descrevia o que queria pro vendedor, e ele ia atrás do balcão buscar o frasco fechado. Testar antes de comprar não era uma opção. Foi essa barreira, considerada normal havia décadas, que um comerciante chamado Dominique Mandonnaud decidiu derrubar.
Um comerciante cansado do balcão fechado
Mandonnaud já vinha do ramo: administrava uma pequena rede de perfumarias chamada Shop 8. Em 1970, abriu em Limoges (e logo depois em Paris) uma loja com um conceito até então inédito no varejo de beleza: os produtos ficavam expostos, ao alcance da mão, e a cliente podia sentir o cheiro, testar a textura e decidir sozinha — sem depender inteiramente do julgamento de um vendedor atrás do balcão. Batizou a loja de Sephora, em referência a Zípora, personagem bíblica esposa de Moisés.
Por que isso foi revolucionário
O modelo, hoje chamado de "self-service assistido", parece óbvio visto de 2026, mas quebrava a lógica de décadas do varejo de luxo: perfume era produto de prestígio, e prestígio andava junto de exclusividade e mediação — você não tocava, você era servida. Mandonnaud apostou no oposto: dar autonomia pra cliente aumentaria a confiança na compra, não diminuiria o valor do produto. A aposta funcionou, e o formato se espalhou por outras lojas da marca ao longo dos anos 1970 e 1980.
A virada com a LVMH
Em julho de 1997, Mandonnaud e seus sócios venderam a Sephora para a LVMH, o mesmo grupo por trás de Dior e Louis Vuitton. Foi esse aporte que transformou uma rede francesa de porte médio numa operação global: a primeira loja nos Estados Unidos abriu em Nova York em 1998, seguida por Toronto (2004), mercados do Oriente Médio (2007) e Austrália (2014).
O tamanho do que aquela ideia virou
Hoje a Sephora opera cerca de 2.700 lojas em 34 países, com quase 340 marcas no portfólio além da linha própria. Toda vez que alguém testa um batom sem precisar chamar um vendedor, está repetindo — sem saber — a ideia de um comerciante francês irritado com um balcão fechado.
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